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Scars of DraculaA Hammer continuou série Drácula em 1970 com a intenção de a renovar, sem necessidade de continuar o filme anterior. Novamente com Christopher Lee (pela segunda vez contra a sua vontade) no papel do conde e uma história de Anthony Hinds, o filme tenta recuperar um pouco do romance de Bram Stoker. A realização é de Roy Ward Baker, que se tornaria um realizador habitual nos filmes seguintes.

Sinopse:
A história começa com mais uma ressurreição de Drácula, a partir de sangue depositado nas suas cinzas por um morcego. A morte de uma rapariga com duas marcas de dentes no pescoço põe os aldeões em fúria pelo que, com o auxílio do padre, resolvem queimar o castelo de Drácula, no que são apenas opostos por Klove, o servo de Drácula. Ao voltarem vêem que todas as suas mulheres, abrigadas na igreja, foram chacinadas por morcegos. Na cidade próxima de Kleinenberg, Paul Carlson vive uma vida de libertino, que o obriga a fugir da perseguição do Burgomestre. Na fuga vai ter à estalagem da aldeia anterior, onde o estalajadeiro não lhe concede permanência. Paul encontra uma carruagem, e tenta dormir lá dentro, mas esta é conduzida por Klove ao castelo. Paul é recebido por Drácula e uma mulher, Tania, e é-lhe indicado um quarto onde dormir. Tania procura Paul, pedindo que este o salve, e dorme com ele. Ao acordar, Tania tenta morder Paul, mas Drácula chega a tempo de intervir e mata-a com um punhal. Vendo-se trancado no quarto Paul tenta fugir descendo até à janela seguinte, mas esta pertence ao quarto, sem portas, onde Drácula dorme. Entretanto Klove desfaz-se do corpo de Tania, encontrando nos pertences de Paul uma foto de Sarah. Simon irmão de Paul, e Sarah, noiva daquele, chegam à estalagem em busca de Paul, mas o estalajadeiro incomodado com as perguntas expulsa-os, não sem que antes a sua empregada Julie, lhes indique que Paul foi para o castelo. Chegados ao Castelo, são recebidos por Drácula, que lhes dá guarida. Quando Drácula tenta morder Sarah na cama, o crucifixo desta repele-o, e o conde pede a Klove para o tirar, mas ao conhecer a rapariga da fotografia que ele venera, Klove recusa. De manhã Paul encontra a fotografia de Sarah na cama de Klove e este confessa que eles correm perigo, ajudando-os a fugir do castelo, pelo que é depois torturado por Drácula. De volta à estalagem Simon e Sarah vêem mais uma vez o seu pedido de ajuda recusado, mas o padre acompanha-os à igreja onde lhes explica que Drácula é um vampiro. Ao mesmo tempo Julie decide abandonar a aldeia devido à cobardia dos locais, mas é raptada por Klove que a leva ao castelo, onde Drácula a morde. De manhã Simon dirige-se ao castelo, e convence Klove a indicar-lhe onde Drácula dorme. Descendo por uma corda como o irmão Paul havia feito, chega à cripta, mas ao tentar trespassar Drácula é hipnotizado pelos olhos deste, e desmaia. Na igreja o padre é morto por morcegos, mas Sarah foge e vai ter ao castelo. Quando Simon acorda, Drácula já não está no seu caixão, é então que encontra o corpo de Paul, morto e mutilado. Ao chegar ao castelo Sarah é confrontada por Drácula, que usa um dos seus morcegos para lhe tirar o crucifixo do peito, mas Simon surge, após ter fugido da cripta por uma corda, e enfrenta o conde, que é atingido por um relâmpago e se desfaz em chamas

Análise:
Com “Scars of Dracula” a Hammer tentou reiniciar a saga do mais famoso dos vampiros, não dando continuidade às sequelas anteriores, mas de certo modo recuperando elementos da história original de Bram Stoker e do primeiro filme da série Drácula, de 1958. Assim, se excluirmos a cena da ressurreição, a chegada de Paul ao castelo lembra a de Jonathan Harker, bem como a personagem Tania é um espelho da vampira do primeiro filme. Temos ainda oportunidade de ver Drácula a trepar pela parede do castelo, testemunhamos o seu domínio sobre as criaturas da noite, e vemos a clássica resistência dos aldeões em ajudar os forasteiros. Já a ideia da profanação da igreja vem de “Dracula Has Risen from the Grave”. Em “Scars of Dracula” Christopher Lee volta a ter um papel principal, como o anfitrião frio, que atrai as vítimas ao castelo e as convence da sua hospitalidade. Mas ao contrário de no primeiro filme, este de 1970 mostra nudez quase completa, e não perde oportunidade de nos dar grandes planos dos seios das raparigas que Drácula morde, ou tenta morder (Anouska Hempel, Jenny Hanley, Wendy Hamilton). Sinal dos tempos foi também o uso de cenas sangrentas, com a da igreja profanada, que ultrapassa tudo o que a Hammer tinha feito até então. Com muito do filme passado na Europa de Leste, o argumento (novamente de Anthony Hinds) distingue-se por isso do do filme de Terence Fisher. É também bastante mais pobre e cheio de incongruências, como o facto de Tania ser morta com um punhal, de Drácula receber Simon e Sarah, e os deixar escapar, as várias tomadas de posição contraditórias de Klove (ainda assim o mais interessante dos personagens), a própria morte do vampiro por um raio, etc. Ao passar-se grandemente no castelo o filme recupera a sua atmosfera, sendo talvez o filme da série que mais uso faz do interior do castelo de Drácula. Não obstante, este, agora desenhado por Scott MacGregor, não tem o brilho dos castelos de Bernard Robinson, e Roy Ward Baker, em grande parte devido à pobreza do argumento, não conseguiu dar um fio coerente ao filme, e os seus constantes avanços e recuos a pormenores sem importância, quebram a linha do filme, e tornaram-no um fracasso no seu tempo. Efeitos especiais maus para a época, como os morcegos, também não terão ajudado o filme. Este filme fecharia um ciclo, sendo o último filme da série passado no século XIX, já que os seguintes seriam histórias contemporâneas

Produção:
Título original: Scars of Dracula; Produção: EMI Film Productions / Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1970; Duração: 95 minutos; Distruição: Anglo-EMI Film Distributors Ltd; Estreia: 8 de Novembro de 1970 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Roy Ward Baker; Produção: Aida Young; Argumento: John Elder [Anthony Hinds] baseado no personagem criado por Bram Stoker; Fotografia: Moray Grant (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Scott MacGregor; Montagem: James Needs; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Caracterização: Wally Schneiderman; Guarda-roupa: Laura Nightingale; Efeitos Especiais: Roger Dicken.

Elenco:
Christopher Lee (Conde Dracula), Dennis Waterman (Simon Carlson), Jenny Hanley (Sarah Framsen), Christopher Matthews (Paul Carlson), Patrick Troughton (Klove), Michael Gwynn (Padre), Michael Ripper (Estalajadeiro), Wendy Hamilton (Julie), Anouska Hempel (Tania), Delta Lindsay (Alice), Bob Todd (Burgomestre), Toke Townley (Cocheiro), David Leland (Primeiro oficial), Richard Durden (Segundo oficial), Morris Bush (Agricultor), Margo Boht (Mulher do estalajadeiro), Clive Barrie (Jovem gordo).