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The Devil Rides OutFoi aparentemente sob sugestão de Christopher Lee que a obra do escritor de romances do oculto, Dennis Wheatley, foi trazida à atenção da Hammer. Terence Fisher foi o realizador escolhido, e o argumento foi de Richard Matheson, com o aval do próprio autor. O filme teve uma gestação difícil por problemas com a censura, e embora sendo uma produção de 1967, o filme só estrearia um ano depois.

Sinopse:
Quando Duc de Richleau e Rex van Ryn vão buscar o seu amigo Simon Aron para um marcado encontro, descobrem que este tem um estranho grupo de pessoas em casa, lideradas pelo misterioso Mocata, e não são desejados. Richleau investiga a casa e descobre provas de que o grupo se prepara para um ritual de magia negra. Temendo pelo amigo Simon, raptam-no e levam-no para casa de Richleau, mas à noite Simon escapa. A única outra referência que têm é a presença de Tanith Carlisle, que Rex reconhecera. Richleau pede a Rex para desviar Tanith de Londres, para quebrar o círculo de 13 pessoas. Enquanto conduzia Tanith para casa dos Eaton, Rex descobre que, tal como Simon, ela ainda não foi iniciada. No entanto, sob influência à distância de Mocata, Tanith ilude Rex e foge com o carro deste. Perseguindo-a, Rex depara com a casa onde o grupo se reúne, escondendo-se num carro, é levado a um campo onde o ritual se efectuará. Depois de telefonar a Richleau, os dois assistem ao ritual onde o demónio é invocado. Richleau e Rex entram de surpresa de carro, e levam consigo Simon e Tanith, para casa de Richard e Sarah Eaton. No dia seguinte Mocata surge para hipnotizar Sarah Eaton, e fazê-la revelar onde estão Simon e Tanith. Nos seus quartos, Tanith tenta matar Rex, e Simon tenta matar Richard Eaton, mas quando Mocata é interrompido, o elo hipnótico termina, e ele é expulso de casa. Tanith, temendo fazer mal a Rex, pede que ele a leve, e os dois vão-se esconder numa cabana no bosque. Richleau desenha um círculo protector no chão de uma das salas, e pede a Simon, Richard e Sarah para não sairem dele durante a noite. São assediados por diversas figuras, desde uma aranha, à pequena Peggy Eaton, e finalmente o anjo da morte. Richleau conjura então as mais poderosas palavras para o afastar, e quando amanhece, Rex surge trazendo o corpo morto de Tanith. Vendo que Peggy foi raptada, Richleau convoca o espírito de Tanith para falar através de Sarah e dizer para onde a pequena foi levada. Quando chegam ao local Mocata prepara-se para sacrificar Peggy, com Simon já do seu lado. A alma de Tanith no corpo de Sarah interrompe a cerimónia, proferindo palavras que destroem a sala, e provocam o pânico nos presentes, salvando assim Peggy. Nesse momento Richleau, Simon, Richard e Sarah voltam a acordar no círculo protector, vendo Rex e Tanith juntar-se-lhes. Percebem então que as palavras de Richleau provocaram um regresso no tempo, e desta vez quem a morte levou não foi Tanith, mas sim Mocata.

Análise:
“The Devil Rides Out” foi o primeiro filme adaptado pela Hammer a partir de um livro de Dennis Wheatley. A ideia vinha já de 1963, mas o tema era então mal visto pela censura, tendo ainda de esperar alguns anos para passar à prática. Tal como acontecera com “The Witches” o ocultismo e a magia negra voltaram a ser o tema. A história é complexa (das mais complexas da Hammer), com muitas reviravoltas e surpresas, e um crescente sentido de horror à medida que nos vamos sentindo penetrar num mundo cada vez mais negro. Sendo um conflito clássico entre o bem e o mal, eles são representados pelos personagens de Duc de Richleau (Christopher Lee) e Mocata (Charles Gray), cuja tenacidade e argúcia serão os motores dos acontecimentos. Lee, numa contida pose aristocrática, representa os valores tradicionais e sagrados da sociedade em que se insere e que representa. Gray, por seu lado, numa interpretação que chega a ser arrepiante, e inspiradora de muitos outros vilões do cinema que se seguiu, é o mal no que este tem de hipnótico e fascinante. Terence Fisher, baseado no argumento do experiente escritor Richard Matheson, consegue mais uma brilhante realização, onde cada momento é significante, jogando com paralelos subliminares (comparar as duas hipnoses de Marie Eaton na Biblioteca, as salvações de Tanith, as duas fugas de Simon, etc), e uma solução envolvendo alterações temporais que conferem a toda a história um carácter onírico. Mesmo decorrendo no século XX, a acção, graças aos comportamentos e mitologia associada, reporta-nos a épocas medievais. Fisher e Bernard Robinson, jogam com isso magistralmente, e se durante o dia nos vemos a salvo num mundo conhecido, moderno, e controlável, à noite somos transportados para um mundo desconhecido, mais antigo e assustador, como num sonho (de reparar que sempre que alguém dorme, algo de mau acontece). O ponto mais alto é sem dúvida a noite passada dentro do círculo protector, onde o quarteto do bem é assediado de todas as formas pelo mal, numa claro paralelo das tentações de Cristo no deserto (neste caso a biblioteca deserta de qualquer objecto). Mas são muitos mais os paralelos e as mensagens envoltas em simbolismo que vale a pena descobrir em “The Devil Rides Out”, sem dúvida um dos mais brilhantes filmes góticos da Hammer.

Produção:
Título original: The Devil Rides Out [Nos Estados Unidos: The Devil’s Bride]; Produção: Seven Arts – Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1967; Duração: 91 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 20 de Julho de 1968 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Nelson Keys; Argumento: Richard Matheson, baseado no romance de Dennis Wheatley; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Coreografia: David Toguri; Fotografia: Arthur Grant Filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Caracterização: Eddie Night; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Michael Stainer-Hutchins.

Elenco:
Christopher Lee (Duc de Richleau), Charles Gray (Mocata), Nike Arrighi (Tanith Carlisle), Leon Greene (Rex van Ryn), Patrick Mower (Simon Aron), Gwen Ffrangcon-Davies (Condessa), Sarah Lawson (Marie Eaton), Paul Eddington (Richard Eaton), Rosalyn Landor (Peggy Eaton), Russell Waters (Malin).

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