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Frankenstein Created Woman“Frankenstein Criou Uma Mulher” foi o regresso de Terence Fisher à série Frankenstein depois do mal sucedido “The Evil of Frankenstein” de Freddie Francis, três anos antes. Novamente com Peter Cushing no principal papel, e com a bela Susan Denberg como sua oponente, o filme, escrito por Anthony Hinds, veio a revelar-se um dos mais famosos da série. Com um novo sucesso entre mãos, Terence Fisher realizaria todos os filmes da série Frankenstein a partir de então.

Sinopse:
O pequeno Hans, que testemunha a morte do pai na guilhotina, é, depois de adulto, ajudante do médico local, Dr. Hertz, e do Barão Frankenstein, nas experiências deste último, que tenta descobrir e isolar a alma humana. No bar local, Hans corteja Christina, a filha do dono, Kleve, a qual tem metade do rosto desfigurado. Esse facto é troçado por três jovens de porte aristocrático que frequentam o bar tratando todos com arrogância. Não se contendo, Hans luta com eles para defender Christina. Nessa noite Hans dorme às escondidas com Christina, e os três jovens, bêbedos voltam ao bar e espancam o pai desta até à morte. No dia seguinte, Hans é preso e condenado pela morte de Kleve, recusando-se a dizer onde estivera a noite anterior. Christina, fora da cidade, chega apenas a tempo de ver a guilhotina a decepar o seu amado, e corre para um lago a suicidar-se. O Barão Frankenstein consegue que o corpo de Hans lhe seja entregue, e prossegue a sua experiência de lhe conservar a alma. Quando Christina lhe é trazida morta, Frankenstein decide operá-la de modo a corrigir-lhe as deformidades, e insuflar-lhe a alma de Hans. Como resultado a nova Christina acorda belíssima, mas sem saber quem é. Aos poucos descobre-se que tem dupla personalidade, e a alma de Hans incita Christina a matar os verdadeiros assassinos do seu pai. Um por um Christina sedu-los e mata-os, suicidando-se por fim, por se considerar um monstro.

Análise:
Em “Frankenstein Criou Uma Mulher” a Hammer mudou completamente a ênfase do mito da criação pelo homem. Afastando-se dos filmes da Universal, Anthony Hinds escreveu uma história sobre transsexualidade. Em vez de um monstro disforme, temos uma mulher belíssima que usa a sedução como arma mortífera. De facto, invertendo a regra, é antes da transformação que Christina (a playmate austríaca da Playboy, Susan Denberg) tinha um rosto desfigurado, e era por isso atormentada por todos. Em vez do aspecto físico, é o lado psicológico que dominará. Em vez do mistério da vida, Frankenstein debruça-se desta vez sobre o mistério da alma, conferindo um teor metafísico à história. Frankenstein pretende (e consegue) isolar a alma, e até unir duas almas num só corpo, por sinal as almas de dois amantes que nos corpos anteriores tinham todas as dificuldades em estar juntos. O filme ganha por isso uma certa qualidade de conto de fadas, com essa união amorosa que no entanto resultará numa personalidade dividida, atormentada e sedenta de vingança. Peter Cushing é aqui mais discreto que nos filmes anteriores, ainda assim repetindo todas as qualidades habituais do célebre Barão. O facto de se aludir várias vezes às queimaduras nas suas mãos parece ser uma ligação ao anterior “The Evil Of Frankenstein”, no entanto essa é a única ligação aparente. Desta vez Frankenstein tem consigo o relutante homem de ciência Dr. Hertz, que nunca consegue entender o alcance das descobertas do Barão, mostrando-nos o quão adiantado cientificamente o Barão está. Os elementos visuais voltam a ser preponderantes, como habitual nas colaborações entre Terence Fisher e Bernard Robinson, desde a omnipresente guilhotina ao laboratório de Frankenstein, passando pelos sinistros interiores onde a refeita Christina perpreta os seus crimes. O simbolismo é evidente em variadíssimos detalhes, como por exemplo o das duas mortes de Christina ocorrerem na água (de notar a semelhança entre a primeira ponte e o célebre quadro de Renoir), símbolo de uma passagem para outro estado. Para não deixar os fãs do macabro descontentes, Fisher volta a apostar em violentas cenas de morte, e a exibição de cabeças decepadas. Destaque para aquilo que seria cada vez mais uma tendência da Hammer nos anos seguintes, a exploração do corpo feminino, aqui exemplificado pela sedutora Susan Denberg que não hesita em mostrar a linha dos seus seios para conseguir a atenção daqueles que pretende matar. O sexo torna-se assim um convite à morte, quase que dando o mote aos célebres “slashers” dos anos 80. Dada a originalidade na abordagem da história, a quantidade de problemas que levanta, e a constante surpresa que nos traz, cena após cena, este é um dos melhores filmes da Hammer da série Frankenstein.

Produção:
Título original: Frankenstein Created Woman; Produção: Seven Arts – Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1967. Duração: 87 minutos; Distribuição: Twentieth Century Fox Film Corporation; Estreia: 15 de Março de 1967 (EUA).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Nelson Keys; Argumento: John Elder [Anthony Hinds]; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Deluxe); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: George Partleton; Guarda-roupa: Rosemary Burrows e Larry Stewart; Efeitos Especiais: Les Bowie.

Elenco:
Peter Cushing (Barão Frankenstein), Susan Denberg (Christina Kleve), Thorley Walters (Doutor Hertz), Robert Morris (Hans), Duncan Lamont (O prisioneiro), Peter Blythe (Anton), Barry Warren (Karl), Derek Fowlds (Johann), Alan MacNaughtan (Kleve), Peter Madden (Chefe da Polícia), Philip Ray (Prefeito), Ivan Beavis (Estalajadeiro), Colin Jeavons (Padre), Bartlett Mullins (Transeunte), Alec Mango (Porta-voz).