Etiquetas

, , , , , , , ,

The Plague of the ZombiesFilmado ao mesmo tempo, e nos mesmos cenários que “A Mulher Serpente”, “The Plague of the Zombies” teve também a direcção entregue a John Gilling, que antes já realizara “Shadow of the Cat” e escrevera o argumento de “A Morte Passou Por Perto”. Por uma vez a Hammer divergiu dos monstros clássicos da Universal, acabando por criar imagens que ajudariam a definir um novo conceito de histórias de terror. O filme foi exibido em alguns mercados com “Drácula – Príncipe das Trevas”.

Sinopse:
Quando Sir James Forbes recebe uma carta enigmática do seu antigo pupilo, o médico Dr. Peter Tompson, decide partir para a Cornualha com a sua filha Sylvia para lhe fazer uma visita. Ao chegar deparam com um funeral desrespeitado por arrogantes homens a cavalo, e são recebidos Alice, a mulher de Peter Thompson, que se mostra adoentada e insegura. Ao mesmo tempo, o Dr. Peter Thompson é confrontado pelos locais, no bar, por não saber explicar as sucessivas mortes misteriosas. À noite Peter confidencia a Sir James que não pode fazer autópsias, pois o povo não autoriuza, e os dois decidem desenterrar o corpo de Tom Martinus, a mais recente vítima, para o autopsiar. São interrompidos pela polícia, mas juntos vêem que o corpo não está no caixão. Em casa dos Tompson, Sylvia vê Alice sair à noite e persegue-a, mas é raptada pelos cavaleiros de Squire Clive Hamilton, que a levam para a mansão deste. Sir Hamilton recrimina-os e deixa Sylvia em liberdade. No regresso, Sylvia encontra Alice junto a uma velha mina, carregada por um estranho vulto que a atira e foge. Em casa Sylvia conta o sucedido ao pai que vai ao local com a polícia. Lá encontram o corpo de Alice e, bêbebo a dormir por perto, Tom Martinus, irmão do último falecido. Martinus é preso, mas diz que viu o seu falecido irmão a caminhar por ali. Sir James pede ajuda ao padre e vendo que as pistas levam a Clive Hamilton, liga a vinda deste do Haiti ao voodo. Juntamente com Peter, Sir James decide abrir mais túmulos e, após o padre ser atacado por uma figura de máscara, descobrem que todos os túmulos estão vazios. Na prisão Tom Martinus desaparece depois de ser visitado por Hamilton, e em casa dos Tompson, Clive Hamilton visita Sylvia, e provoca um acidente num dedo dela para lhe recolher sangue. Mais tarde Sylvia ilude a vigilância de Peter e foge, chamada pelos rituais de Hamilton, deixando-se prender por este na mina, onde os seu zombies trabalham como escravos. Sir James entra em casa de Hamilton às escondidas, e descobre os artefactos do voodoo. Lutando com um dos homens de Hamilton, mata-o, e atira os bonecos do voodoo ao fogo, causando a combustão dos zombies na mina. estes revoltam-se contra Hamilton e os seus homens, no momento em que Peter e Sir James chegam, a tempo de salvar Sylvia e fugirem. A mina explode com todos os zombies e Hamilton e os seus homens lá dentro.

Análise:
Num tema um pouco diferente do habitual, a Hammer usa uma história de zombies como alegoria social sobre o trabalho forçado, a exploração da pela social mais alta, e as consequências do colonialismo. Surgindo dois anos antes do influente “A Noite dos Mortos-Vivos” de George A. Romero (Night of the Living Dead, 1968), os zombies da Hammer não são comedores de carne, apenas trabalhadores forçados, de aspecto fantasmagórico, sem vontade própria, escravos de um destino que não controlam. Sob a direcção de John Gilling, que mais que criar uma pressão psicológica, nos tenta surpreender com imagens chocantes, André Morell segura o filme no papel principal com uma interpretação que lhe dá coesão e sentido, ao lado de Jacqueline Pearce, que surge como a heroína trágica, tal como no filme irmão deste, “A Mulher Serpente”. Com uma atmosfera na linha habitual, mais uma vez graças à cenografia de Bernard Robinson, o filme vive das paisagens nocturnas, dos silêncios opressivos, e dos interiores góticos, sobretudo na mansão. A estes acrescenta-se o exotismo dos rituais de voodoo, num abrir de portas ao tema do ocultismo que se tornaria mais evidente na Hammer nos filmes seguintes. Mais uma vez de parabéns está a caracterização de Roy Ashton, que consegue criar zombies suficientemente assustadores, sem recorrer a mais que a uma tonalidade cinzenta nos rostos. A sequência do sonho em que os defuntos emergem da terra em simultâneo para atacarem em grupo o personagem de Brook Williams, seria imitada até à exaustão em todos os filmes e séries de TV de zombies.

Produção:
Título original: The Plague of the Zombies; Produção: Seven Arts – Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1966; Duração: 86 minutos; Distribuição: Twentieth Century-Fox Film Corporation; Estreia: 9 de Janeiro de 1966 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: John Gilling; Produção: Anthony Nelson Keys; Argumento: Peter Bryan; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Arthur Grant (colorido por Deluxe); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Bowie Films Ltd.

Elenco:
André Morell (Sir James Forbes), Diane Clare (Sylvia Forbes), Brook Williams (Dr. Peter Tompson), Jacqueline Pearce (Alice Tompson), John Carson (Clive Hamilton), Alex Davion [Alexander Davion] (Denver), Michael Ripper (Sargento Swift), Marcus Hammond (Tom Martinus), Dennis Chinnery (Agente Christian), Louis Mahoney (Servo de cor), Roy Royston (Vigário), Ben Aris (John Martinus), Tim Condren (jovem), Bernard Egan (jovem), Norman Mann (jovem), Francis Willey (jovem).

Anúncios