Etiquetas

, , , , , , , , , , ,

Dracula: Prince of DarknessDepois de dois outros filmes de vampiros, sem Drácula (um deles com o seu nome no título), a Hammer produziu, oito anos depois do filme original, este “Drácula: Príncipe das Trevas” com o regresso de Christopher Lee ao papel do mais famoso dos vampiros. A realização foi novamente de Terence Fisher, a partir de uma história de Anthony Hinds. O filme foi filmado ao mesmo tempo que “Rasputin, the Mad Monk”, usando muitos dos cenários e localizações.

Sinopse:
Na Carpátia, um corpo de uma jovem é trazido para um ritual funerário que envolve ser trespassado por uma estaca. O padre Shandor chega a tempo de interromper o ritual lembrando que o vampirismo foi erradicado coma a morte de Drácula há 10 anos. Dois casais de ingleses (Charles e Diana, Alan e Helen) comem numa estalagem, quando o padre Shandor chega e os aconselha a não se aproximarem do castelo de Karlsbad. Ao viajarem de carruagem o cocheiro deixa-os no meio do caminho por temer e noite. Uma carruagem vazia encontra-os, e quando o quarteto sobe, ela arranca e deixa-os no castelo. No castelo o criado Klove diz que eram esperados, serve-lhes jantar e indica-lhes quartos. Nessa noite Helen acorda com um ruído e o marido Alan vai investigar. Encontra uma passagem secreta que conduz a uma cripta e aí é morto por Klove que o faz sangrar no túmulo com as cinzas de Drácula, fazendo-o renascer. De seguida Klove conduz Helen à cripta, onde Drácula a morde. No dia seguinte Charles e Diana não encontram ninguém, e Charles decide levar Diana dali e voltar sozinho. Mas sem que Charles saiba, Klove, na carruagem, vai buscar Diana, dizendo-lhe que o marido pedira o seu regresso. No castelo, Charles descobre o corpo de Adam, e reencontra Diana, lutando com Drácula e Helen (agora vampira). O casal foge, refugiando-se no mosteiro do padre Shandor. Sem que saibam Klove conduz dois caixões para o mosteiro, contendo Drácula e Helen. Com a ajuda de Ludwig, um paciente do mosteiro, os dois vampiros entram e voltam a atacar Diana. Charles e Shandor chegam a tempo de salvar Diana e capturam Helen, que é trespassada, mas Ludwig conduz Diana a Drácula que foge, transportando-a. Depois de matarem Klove, Charles e Shandor perseguem a carruagem até ao Castelo durante todo o dia, e chegam ao anoitecer, no momento em que Drácula sai do caixão, que caiu no fosso congelado. Drácula e Charles lutam, mas sob disparos no gelo, o padre Shandor quebra-o, fazendo Drácula a cair na água e ficar sob o gelo.

Análise:
Para confirmar tratar-se da verdadeira sequela de “O Horror de Drácula” de 1958 (passando assim por cima do filme “As Noivas de Drácula” de 1960), este “Drácula: Príncipe das Trevas” começa com um pequeno flashback de cenas daquele filme, mostrando como Van Helsing (Peter Cushing) destruiu Drácula (Christopher Lee). Com esta sequela começa uma série de ressureições do famoso conde, que adicionam sempre algo novo ao folclore do personagem. Neste filme ela é feita a partir do sangue despejado nas suas cinzas (o sangue a correr a jorro, um exemplo do sadismo típico da Hammer, e terá sido um choque entre a crítica). Terence Fisher consegue, na combinação entre a determinação de Francis Matthews e a sageza de Andrew Keir (os cruzados do bem), a força e conteúdo do Van Helsing de Peter Cushing. A atmosfera gótica rivaliza com aquela do primeiro filme, mostrando que tanto Fisher como a produção artística de Bernard Robinson continuam à altura do melhor que a Hammer fez. De notar a longa espera até vermos o vampiro pela primeira vez, numa guerra de nervos aos personagens, na sua lenta persuasão a permanecer no castelo. De destacar ainda o silêncio de Drácula. Christopher Lee não diz uma palavra em todo o filme, o que retira profundidade ao seu personagem, fazendo por isso que este filme seja inferior a “O Horror de Drácula”. Lee prefere aqui “encantar” as suas vítimas com o olhar, na habitual sedução em que mulheres de porte vitoriano, deambulando pelos corredores em camisas de noite, exibindo colos generosos, se lhe lançam nos braços sem hesitação. Barbara Shelley desempenha aqui o papel da mulher assustada, de gritos arrepiantes, que se torna a primeira vítima do Conde, e brilha na cena em que é trespassada, com uma interpretação de demonizada que iria ser repetida em muitos mais filmes (mais celebremente em “O Exorcista” de William Friedkin, por exemplo). A história é híbrida de novas ideias (como a ressurreição), material de Bram Stoker (o personagem Ludwig é um aproveitamento de Renfield; a morte de Drácula é a descrita por Bram Stoker no seu livro), e reciclagem de ideias anteriores (o rapto de Helen, imita o de Mina no primeiro filme). O resultado é um filme seguro que não destoa daquele que o precedeu.

Produção:
Título original: Dracula: Prince Of Darkness (Título nos Estados Unidos: Revenge Of Dracula); Produção: Seven Arts – Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1966. Duração: 88 minutos; Distribuição: Warner-Pathe Distributors Limited; Estreia: 9 de Janeiro de 1966 (Inglaterra), 11 de Julho de 1980 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Nelson-Keys; Argumento: John Sansom [Jimmy Sangster] a partir de uma história de John Elder [Anthony Hinds], baseada em personagens criados por Bram Stoker; Música: James Bernard; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Michael Reed (filmado em Techniscope Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Rosemary Burrows; Efeitos Especiais: Bowie Films Ltd.

Elenco:
Christopher Lee (Conde Drácula), Barbara Shelley (Helen Kent), Andrew Keir (Father Sandor), Francis Matthews (Charles Kent), Suzan Farmer (Diana Kent), Charles Tingwell (Alan Kent), Thorley Walters (Ludwig), Philip Latham (Klove), Walter Brown (Brother Mark), George Woodbridge (Estalajadeiro), Jack Lambert (Irmão Peter), Philip Ray (Pai), Joyce Hemson (Mãe), John Maxim (Cocheiro).

Anúncios