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The Curse of the Mummy's TombApós as sequelas de Frankenstein e Drácula, era óbvio que também “A Múmia”, teria a sua sequela feita pela Hammer. O filme foi produzido e realizado por Michael Carreras, que foi sempre o pai da série na Hammer. Com actores diferentes do habitual no cânone da Hammer o filme foi filmado nos estúdios Elstree, em vez de nos habituais Bray Studios, o que lhe conferiu um estatuto de produção menor. O filme foi apresentado nos cinemas a par de “A Morte Passou Por Perto”.

Sinopse:
Em 1900, no Egipto, quando um túmulo é aberto, o Professor Eugene Dubois é morto cruelmente por fanáticos locais. Contra os conselhos do representante do governo, Hashmi Bey, e outro arqueólogo, Sir Giles Dalrymple, o mecenas da expedição, Alexander King, resolve levar a múmia e os artefactos descobertos, numa volta ao mundo. No navio de regresso Sir Giles é atacado, tal como os colegas John Bray e a namorada Annete Dubois, filha do falecido Eugene Dubois. São salvos por Adam Beauchamp, que convida John e Annete a hospedarem-se em sua casa em Londres. Investigando um medalhão de Annete, John descobre que nele estão inscritas as palavras da vida. A múmia é o cadáver do príncipe Ra-Antef, assassinado a mando do irmão deste, o príncipe Re. Re foi por isso condenado a viver eternamente, e só pode ser morto pela múmia de Ra-Antef. Quando John é atacado, o medalhão é-lhe roubado. Na noite da abertura da exibição o sarcófago é aberto vazio. A múmia surgirá nas ruas de Londres, matando Alexander King, e, mais tarde, em sua casa, o arqueólogo Sir Giles Dalrymple. John desconfia que a múmia é comandada por Hashmi Bey, mas este voluntaria-se para ajudar a capturá-la. Uma cilada é montada e quando a múmia surge para matar John, Hashmi sacrifica a sua vida, e a múmia escapa. Mais tarde a múmia surge em casa de Adam Beauchamp tentando matá-lo. Ao ver Annete vai atrás dela, mas Adam fala-lhe e a múmia pára. Adam leva Annete até à sua cave e conta-lhe que ele próprio é o imortal Re, e quer morrer às mãos do irmão, após este a matar também. Perseguidos pela polícia, o trio interna-se nos esgotos, mas a múmia recusa-se a matar Annete, matando Adam, arrancando o amuleto do pescoço de Annete, e desaparecendo soterrada sob os esgotos de Londres.

Análise:
Em vez de ser uma sequela do filme de Terence Fisher de cinco anos antes, “A Maldição da Múmia” segue o mesmo esquema, parecendo, nalguns momentos, quase um remake. Mas Michael Carreras não é Terence Fisher, e isso nota-se na menor coesão da narração, com uso excessivo de flashbacks e interpretações despropositadas. Neste filme o argumento vale pela originalidade que vem do facto de uma maldição afectar dois irmãos, um vivo e outro mumificado. Continua a ideia da arrogância ocidental sobre o que é antigo e de outras civilizações, aqui personificada pelo personagem de Fred Clark, um magnata cujo único objectivo é o lucro. Levado com menos seriedade que o anterior, aqui vêem-se cenas de comicidade por parte dos actores secundários (note-se Michael Ripper, um dos actores com mais presenças nos filmes góticos da Hammer), e um ambiente menos sombrio, exceptuando as cenas de morte. O filme peca pela falta de boas interpretações, já que todos os papéis principais parecem forçados e pouco esclarecidos. Quanto à múmia, Dickie Owen não tem a presença de Christopher Lee, e graças a uma caracterização pobre, que faz o seu rosto parecer uma amálgama de gesso, não é aqui possível (ao contrário do filme de 1959) um verdadeira interpretação do actor que lhe dá vida. George Pastell volta como o arauto da maldição, na defesa da tradição esquecida, dando um toque de fanatismo, ao sacrificar-se para apaziguar a múmia. A cena final onde a múmia transporta Jeanne Roland em vestido de noite, exibindo um colo generoso, é um exemplo da sexualidade que a Hammer queria começar a tornar mais explícita.

Produção:
Título original: The Curse Of The Mummy’s Tomb; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Elstree Studios; Ano: 1964; Duração: 85 minutos; Distribuição: Columbia Pictures; Estreia: 18 de Outubro de 1964 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Produção e Realização: Michael Carreras; Produtor Associado: Bill Hill; Argumento: Henry Younger [Michael Carreras]; Música: Carlo Martelli; Supervisão Musical: Philip Martell; Fotografia: Otto Heller (filmado em Techniscope, Technicolor); Production Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Betty Adamson e John Briggs; Consultor Técnico: Andrew Low.

Elenco:
Terence Morgan (Adam Beauchamp), Ronald Howard (John Bray), Fred Clark (Alexander King), Jeanne Roland (Annette Dubois), George Pastell (Hashmi Bey), Jack Gwillim (Sir Giles Dalrymple), John Paul (Inspector Mackenzie), Dickie Owen (A Múmia), Jill Mai Meredith (Empregada de Jenny, Beauchamp’s), Michael Ripper (Achmed), Harold Goodwin (Fred), Jimmy Gardner (Colega de Fred), Vernon Smythe (Jessop), Marianne Stone (Senhoria de Hashmi Bey), Bernard Rebel (Professor Eugene Dubois).

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