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The Phantom of the OperaContinuando a recuperação dos monstros da Universal, a Hammer teve em “O Fantasma da Ópera” a sua mais dispendiosa produção até ao momento, graças ao interesse crescente dos seus parceiros americanos. Os interiores do teatro foram filmados no Wimbledon Theatre, e mais de 100 músicos, cantores e actores foram contratados. O papel do herói romântico chegou mesmo a ser oferecido a Cary Crant, mas a sua participação não se veio a concretizar. Numa produção de Anthony Hinds e realização de Terence Fisher, o fantasma seria interpretado por Herbert Lom.

Sinopse:
Em Londres no início do século, nem tudo corre bem na Ópera. Após uma série de incidentes inexplicados, a diva, Maria, vê uma figura no seu camarim, que julga ser o célebre fantasma. Acalmada pelo produtor Harry Hunter, acede iniciar a sua actuação na nova ópera de Lord Ambrose d’Arcy, mas logo no início o corpo enforcado de um homem surge a balançar sobre o palco, causando o pânico e interrompendo o espectáculo. Com o despedimento de Maria os produtores procuram uma nova cantora, e a escolha recai na jovem Christine Charles. No seu camarim ela ouve a voz do fantasma que a aconselha ter cuidado com d’Arcy. No jantar com d’Arcy, este tenta levar Christine para sua casa, mas a chegada de Harry Hunter salva a situação. Nessa noite ao voltarem ao teatro, o fantasma reaparece a Christine, e mais tarde fala sem ser visto, a Christine e Harry. Humilhado com a desfeita, d’Arcy despede Christine e Harry. Harry descobre que d’Arcy tem usado como suas as composições de um antigo compositor, Professor Petrie, que terá morrido num incêndio muitos anos antes. Seguindo essa pista descobre que de facto o Professor Petrie não morreu, mas desapareceu misteriosamente após ter sido queimado no incêndio. Em sua casa Christine é assaltada por um estranho corcunda, que a rapta e leva para o covil do fantasma. Este diz-lhe que a vai ajudar a ser a melhor cantora de sempre. Enquanto Lattimer, o director do teatro, volta a chamar Harry Hunter para a produção, o fantasma treina Christine até à exaustão. Harry continua a seguir as pistas do desaparecimento do Professor Petrie, e seguindo passagens subterrâneas do rio, chega ao covil do fantasma. Lá, após vencer a oposição do corcunda, encontra o fantasma que lhe conta a história de como um dia, ao tentar vender as suas composições a Ambrose d’Arcy, este se apropriou delas. Quanto as tentou destruir, causou um incêncio acidentalmente, que o queimou a si próprio. Ao cair ao rio foi arrastado até àquele local, onde o corcunda o salvou. Ouvida a história, Harry e Christine assentem a que o treino desta continue. Após o fantasma afugentar d’Arcy, Christine volta ao papel principal, e a ópera é um sucesso. Nos agradecimentos, acidentalmente o corcunda provoca a queda de um candelabro, e antes que este esmague Christine, o fantasma salta para o palco, salvando-a e morrendo no seu lugar.

Análise:
Para os padrões da Hammer, este “O Fantasma da Ópera” surge como uma super produção. Filmado num verdadeiro teatro, com músicos e cantores verdadeiros, e encenação de longas sequências cantadas, há neste filme muito que ultrapassa o cânone da Hammer. Terence Fisher desta vez optou por um ritmo mais lento, em que a história do fantasma nos é trazida paulatinamente, de um modo que nos faz sentir simpatia por ele. Por uma vez, mais que na criação de ambientes, Fisher assenta o seu filme no desenvolvimento dos personagens, passando facilmente do terror ao drama. De facto o horror funciona neste filme de modo inverso, iniciando-se numa série de aparições surpresas do fantasma, para nos mostrar alguém humano e em sofrimento com quem simpatizaremos o resto do filme. Talvez por isso o seu rosto é apenas mostrado na cena final. O fantasma, mais que um monstro vingativo e sem controlo, como nos é dado a ver noutras adaptações, neste filme tem apenas um objectivo, o de que a sua música seja interpretada da forma que ele sonhava. É a paixão que o guia, e lhe dá um último objectivo de vida. Por ela, ele sacrifica-se num gesto puramente altruísta, mas não sem uma arrogância bastante amoral, típica dos heróis byronianos, que lhe permite sentir-se acima do bem ou do mal. Aqui todos os actos violentos são perpretados pelo corcunda, que age inexplicavelmente, como um subconsciente autónomo do próprio fantasma. O filme é por isso um desvio interessante da história original, deixando-nos sempre com a curiosidade de ver o que levou as personagens (em particular o Fantasma) a tornarem-se o que são. A interpretação de Herbert Lom é notável, pois se do rosto do fantasma apenas se vê um olho durante todo o filme, consegue ainda assim mostrar-nos toda a sua frustração, dor, desespero, e comoção final, quando vê o seu trabalho finalmente homenageado. Com cenários mais ricos que o habitual, Bernard Robinson não descansa à sombra do teatro, e volta a trazer-nos locais de antologia, como o feérico covil do fantasma. Michael Gough, no papel do verdadeiro vilão, tem também uma interpretação inspirada. De notar ainda a sequência do flashback (pouco habitual em Fisher), filmada no chamado “Dutch angle”, em que a câmara está inclinada de alguns graus, para dar um elemento mais irreal às imagens. A versão para televisão dos EUA teve cenas adicionais filmadas.

Produção:
Título original: The Phantom of the Opera; Produção: Hammer Film Productions. País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1962; Duração: 84 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 25 de Junho de 1962 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Hinds; Produtor Associado: Basil Keys; Argumento: John Elder [Anthony Hinds] a partir do romance de Gaston Leroux; Música e Direcção de Orquestra: Edwin Astley; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Eastmancolor by Pathe); Produção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Encenação das cenas de Ópera: Dennis Maunder.

Elenco:
Herbert Lom (O Fantasma /Professor Petrie), Heather Sears (Christine Charles), Edward de Souza (Harry Hunter), Thorley Walters (Lattimer), Michael Gough (Lord Ambrose d’Arcy), Harold Goodwin (Bill) Martin Miller (Rossi), Liane Aukin (Maria), Sonya Cordeau (Yvonne), Marne Maitland (Xavier), Miriam Karlin (mulher das limpezas), Patrick Troughton (apanhador de ratos), Renee Houston (Mrs. Tucker), Keith Pyott (Weaver), John Harvey (Sargento Vickers), Michael Ripper (primeiro cocheiro), Miles Malleson (segundo cocheiro), Ian Wilson (corcunda).

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