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The Curse of the WerewolfCom “A Maldição do Lobisomem” a Hammer voltava a explorar a galeria de monstros celebrizados pela Universal nos anos 30 e 40. O filme é no entanto bastante diferente do filme “O Homem Lobo” (“The Wolf Man”) de 1941, embora visualmente o “monstro” se inspire naquele protagonizado por Lon Chaney. Escrito pelo habitual produtor, Anthony Hinds (sob o pseudónimo John Elder), “A Maldição do Lobisomem” teve Oliver Reed no principal papel, e a habitual realização de Terence Fisher. Infelizmente esta foi a única produção da Hammer sobre o mito dos lobisomens.

Sinopse:
Numa pequena vila espanhola do século XVIII, um pedinte é acolhido no casamento do Marquês Siniestro, onde é humilhado, e finalmente preso, e esquecido na prisão. Lá torna-se motivo de interesse da jovem filha muda do carcereiro. Já adulta, e por ter resistido aos avanços do Marquês, agora velho e viúvo, a moça é atirada no cárcere, onde é atacada pelo velho pedinte. Ao ser libertada a rapariga muda assassina o Marquês, e foge, sendo encontrada num lago por Don Alfredo Carido, um aristocrata de uma aldeia vizinha. Este salva-a e acolhe-e em sua casa, onde com a ajuda da sua governanta, Teresa, ajudam a moça a dar à luz, no dia de Natal. A jovem muda morre a seguir ao parto, e a criança, Leon, é educada como filho de Don Alfredo Carido. Ainda em criança Leon começa a ter estranhos sonhos onde se vê como lobo. Nesses dias, ovelhas são encontradas mortas com o pescoço dilacerado. O guarda nocturno local, Pepe, persegue o pretenso lobo à noite, e atinge-o com uma bala, a qual é encontrada por Don Alfredo Carido no corpo de Leon. Ao consultar o padre, este reconhece que Leon é um lobisomem, cuja alma luta com um espírito de lobo que nele entrou à nascença. Diz ainda que só com amor a aflição de Leon desaparecerá, e é isso acontece daí em diante. Já adulto Leon deixa a casa de Don Alfredo Carido para procurar emprego, e fá-lo na produção de vinho de Don Fernando. Aí apaixona-se pela filha deste, Cristina, com quem mantém uma relação em segredo. Numa noite de lua cheia, enquanto celebrava com o colega Jose numa taverna, Leon perde controlo, e transforma-se em lobisomem, matando Jose e várias outras pessoas, e acordando em casa de Don Alfredo. Ao regressar à propriedade de Dom Fernando descobre das mortes, mas com o amor de Cristina, consegue evitar a transformação na noite seguinte. No dia seguinte a polícia leva-o, e Leon sabendo o que acontecerá, confessa a sua aflição e pede para ser morto. Como ninguém acredita, a noite chega com Leon preso, e ao transformar-se rebenta com as grades matando outro preso e o guarda. Na aldeia de Don Alfredo, Leon é perseguido, saltando de telhado em telhado, causando o pânico da população, até que Don Alfredo, usando uma bala de prata de Pepe, mata o seu filho adoptivo.

Análise:
Para esta sua versão de histórias de lobisomens, a Hammer baseou-se no livro “The Werewolf of Paris”, mas decidiu situar a acção na Espanha rural do século XVIII. A história é, na tradição da Hammer, uma história de tragédia. Tal como acontecera já com Frankenstein ou Dr. Jekyll, temos um “monstro” que é vítima de uma herança que não controla e tenta combater. Mas é ao lutar contra essa herança (ou ao lutar contra si mesmo) e ao tentar fugir-lhe que acaba por nela cair sem piedade. O cenário espanhol confere à história uma maior distância, e por isso uma aura de lenda (reforçada pelo longuíssimo prelúdio). Tal como nos filmes precedentes voltam as cenas de morte e de sangue, numa acção bem típica da realização fluída e atmosférica de Terence Fisher. Desta vez porém, o ritmo varia, com um maior interesse em desenvolver a história inicial, de modo que a versão adulta do personagem principal (numa interpretação irrepreensível de um muito jovem Oliver Reed), apenas surge na segunda metade do filme. Preferindo, desenvolver o enredo no lento avolumar da tensão, Fisher deixa a aparição total do monstro quase para o final, fazendo com que mais que uma história de horror, “A Maldição do Lobisomem” seja uma lenda de contornos morais, duelos internos, e até com paralelos bíblicos (veja-se como Cristina é encontrada a flutuar num curso de água, para dar à luz ao bebé especial), num filme que começa e termina com sinos a tocar. A sequência do baptismo é deveras inspirada, tal como a perseguição final, que nos mostra um monstro bastante “humano”, e bem mais credível, e capaz que atrair a nossa simpatia, que o criado por Lon Chaney em 1941. Para além de Oliver Reed há a destacar a excelente interpretação de Clifford Evans, no papel do torturado e bondoso pai adoptivo, que sabe que as chances de o bem vencer dentro do dividido Leon serão ínfimas. O toque de Bernard Robinson ajuda a tornar este filme um dos grandes clássicos góticos da Hammer, se bem que hoje em dia praticamente esquecido.

Produção:
Título original: The Curse of the Werewolf; Produção: Hammer Film Productions. Produtor Executivo: Michael Carreras; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1961; Duração: 93 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 1 de Maio de 1961 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Hinds; Produtor Associado: Anthony Nelson Keys; Argumento: John Elder [Anthony Hinds], baseado no romance “The Werewolf of Paris” de Guy Endore; Música e Direcção de Orquestra: Benjamin Frankel; Fotografia: Arthur Grant (filmado em Technicolor); Produção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Cenários: Don Mingaye; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Efeitos Especiais: Les Bowie.

Elenco:
Oliver Reed (Leon), Clifford Evans (Don Alfredo Carido), Yvonne Romain (filha do carcereiro), Catherine Feller (Cristina), Antony Dawson (Marquês Siniestro), Richard Wordsworth (pedinte), Hira Talfrey (Teresa), Justin Walters (jovem Leon), John Gabriel (Padre), Warren Mitchell (Pepe Valiente), Anne Blake (Rosa Valiente), George Woodbridge (Dominique), Michael Ripper (velho bêbedo), Ewan Solon (Don Fernando), Peter Sallis (Don Enrique), Martin Matthews (Jose), Josephine Llewellyn (Marquesa).

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