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The MummyConsiderado um dos “Big Three” da Hammer, ao lado de “A Máscara de Frankenstein” e “O Horror de Drácula”, este “A Múmia”, voltou a buscar inspiração nos filmes dos anos 30 da Universal Pictures, estabelecendo-se como um dos filmes responsáveis pela reputação da “marca” Hammer Horror. Tal como os outros dois filmes citados, foi realizado pelo mestre Terence Fisher, com argumento de Jimmy Sangster, e baseando-se na oposição dos personagens interpretados por Peter Cushing e Christopher Lee. A produção é de Michael Carreras, mostrando a sua inclinação em trazer temas mais exóticos para o cânone da Hammer.

Sinopse:
Em 1895 três arqueólogos ingleses (John Banning, o seu pai Stephen e o tio Joseph Whemple) encontram-se no Egipto, em busca do túmulo perdido da princesa Ananka. Com John ferido numa perna, cabe ao seu pai Stephen abrir o túmulo, contra os augúrios e superstições religiosas, personificadas pelo fanático local, Mehemet Bey. Sozinho no túmulo, ao ler um papiro antigo, Stephen vê algo que o enlouquece em consequência. Em 1898 em Inglaterra, Stephen Banning desperta da sua loucura num hospício, e avisa o filho para o perigo da múmia. Sem que os arqueólogos saibam, Mehemet Bey chega, trazendo consigo a múmia de Kharis, o antigo sumo sacerdote respnsável pelo funeral de Ananka, mas que por se ter apaixonado por ela fora condenado a servi-la além morte, sepultado vivo e sem língua. Bey incita Kharis na senda de vingança pela profanação do túmulo. Após matar Stephen Banning no hospício, e Joseph Whemple na casa dos Banning, a múmia hesita em matar John Banning, por semelhança entre a esposa deste, Isobel, e a princesa Ananka. John informa a polícia, e procura ele mesmo Mehmet Bey, provocando a sua ira. Oferecendo-se como isco, John espera a múmia em casa, e esta chega para o matar, mas quando vê de novo Isobel, fica imóvel. Incapaz de seguir as ordens de Bey, Kharis mata-o, e leva consigo Isobel. Esta pede-lhe que ele a solte, e Kharis obedece, deixando-se por fim apanhar, afundando-se num pântano, com o papiro que lhe dava vida.

Análise:
Peter Cushing e Christopher Lee, aqui acompanhados da lindíssima Yvonne Furneaux, interpretam neste filme mais um seus muitos confrontos. O ambiente gótico que celebrizaria a Hammer definia-se de novo com paisagens escuras (onde é na verdade difícil saber quando é noite ou dia), mansões aristocráticas, exteriores feitos de pântanos e nevoeiros, superstições exóticas e assassinatos violentos. Se o Egipto desenhado por Bernard Robinson está longe de ser realista, ele apela ao nosso subconsciente de magia e superstição. A tudo isto junta-se a fantasmagórica múmia interpretada impavidamente por Christopher Lee (com uma caracterização inesquecível de Roy Ashton), que não diz uma palavra em todo o filme. Contracenando com ele, está Peter Cushing, no perfeito gentleman britânico, inteligente, e seguro de si. Fugindo ao “gore”, o horror é sugerido pelos eventos, deixando ao espectador a tarefa de preencher os pontos. O filme pode ser interpretado como uma parábola sobre a arrogância ocidental e modernidade científica quando confrontadas com a religião, tradição e culturas que julgam mais atrasadas. É além disso uma macabra história de amor, onde esse amor impossível é tanto o causador da desgraça como a sua solução, o que nos faz simpatizar com a múmia brilhantemente interpretada por Christopher Lee, que com alguns olhares nos consegue transmitir toda a sua dor e confusão. Alguns do elementos da história seriam aproveitados no filme “A Múmia” de Stephen Sommers de 1999.

Produção:
Título original: The Mummy; Produção: Hammer Film Productions; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1959; Duração: 88 minutos; Distribuição: Universal Pictures; Estreia: 25 de Setembro de 1959 (Inglaterra).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Michael Carreras; Produtor Associado: Anthony Nelson-Keys; Argumento; Jimmy Sangster; Música: Franz Reizenstein; Supervisão Musical: John Hollingsworth; Fotografia: Jack Asher (filmado em Eastmancolor, processado por Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Caracterização: Roy Ashton; Efeitos Especiais: Bill Warrington.

Elenco:
Peter Cushing (John Banning), Christopher Lee (a Múmia /Kharis), Yvonne Furneaux (Isobel/Ananka), Eddie Byrne (Inspector Mulrooney), Felix Aylmer (Stephen Banning), Raymond Huntley (Joseph Whemple), George Pastell (Mehemet Bey), Michael Ripper (caçador furtivo), George Woodbridge (polícia), Harold Goodwin (Pat), Denis Shaw (Mike), Gerald Lawson (cliente irlandês), Willoughby Gray (Dr. Reilly), John Stuart (médico legista), David Browning (sargento da polícia), Frank Sieman (Bill).

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