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The Hound of the BaskervillesEntre Frankensteins, Dráculas e Múmias, a Hammer, procurou materal diversificado para terminar os anos 50 em grande no campo do mistério e horror. Surgiu assim esta adaptação do famoso romance de Arthur Conan Doyle, “O Cão dos Baskervilles”. O menor orçamento foi inteiramente disfarçado por uma cenografia inteligente, e interpretações inspiradas, principalmente a de Peter Cushing, que lhe valeria ser o rosto de Sherlock Holmes numa futura série de televisão. Como era hábito a realização ficou entregue a Terence Fisher.

Sinopse:
No século XVIII Sir Hugo Baskerville de Dartmoor, conhecido pela sua crueldade, é responsável pela morte de uma rapariga local que ele tentava violar. Em consequência é morto por um animal misterioso, criando a lenda do cão dos infernos que amaldiçoa os Baskervilles. Mais de 100 anos depois, com a morte de Sir Charles Baskerville, e a chegada do seu herdeiro, Sir Henry, o médico da família, Dr. Mortimer, viaja até Londres para pedir a ajuda de Sherlock Holmes. Após conhecerem Sir Henry num hotel, Holmes salva-o de ser atacado por uma tarântula, e envia Dr. Watson para Dartmoor como protector do aristocrata pedindo-lhe que nunca deixe Sir Henry sair de casa à noite. Em Dartmoor, Dr. Watson descobre da fuga de um prisioneiro de uma prisão vizinha, e conhece o vizinho de Sir Henry, Stapleton, quando este o salva após Watson cair num pântano, por cuja filha, Cecile, Sir Henry se sente atraído. À noite Sir Henry e Watson descobrem que alguém deixara uma vela como sinal e perseguem o sinal na escuridão, ouvindo os uivos nocturnos de um animal, o que causa um pequeno problema cardíaco em Sir Henry. Seguindo um rasto, Watson encontra Sherlock Holmes, que espiava Dartmoor escondido. Nessa noite Holmes e Watson ouvem os ataques do cão misterioso, e encontram um cadáver vestindo as roupas de Sir Henry. Ao voltar à mansão encontram Sir Henry vivo, percebendo que o morto havia sido o prisioneiro em fuga, e as roupas doadas pelo casal de mordomos, tinham atraído o cão. Sherlock Holmes descobre que uma tarântula foi roubada ao Bispo e entomólogo local. Descobre ainda um velho punhal e vestígios de sangue numa velha igreja. Com a ajuda de Dr. Mortimer e Stapleton, Holmes desce a uma velha mina, onde encontra vestígios de que um cão seria ali alimentado. A mina desaba, e Holmes é, por umas horas, julgado soterrado. De novo na mansão Holmes insta Sir Henry a aceitar o convite para jantar com os Stapleton. Este é guiado pela filha, Cecile, que o conduz à velha igreja. Ali revela que ela e o pai também são Baskervilles, e o cão, libertado por Stapleton, ataca Sir Henry. Holmes e Watson, escondidos, ferem Stapleton e matam o cão, que antes de morrer acaba com a vida do dono. Cecile foge e morre nos pântanos circundantes. Holmes revela que descobrira Stapleton pela doença de família que deformava as mãos direitas de alguns Baskervilles. Revela ainda que o cão usava uma máscara para parecer grotesco, e que era mantido esfomeado e libertado à noite para procurar o faro de Sir Henry.

Análise:
Não sendo exactamente uma história de terror, mas sim de mistério, “O Cão dos Baskervilles”, nas mãos da Hammer, ganha contornos diferentes onde a habitual atmosfera gótica e algumas modificações no argumento lhe dão uma aura de horror. Essas modificações têm em vista aumentar a tensão, fazendo-nos suspeitar de que testemunhamos algo horrífico. E conseguem-no perfeitamente. São exemplos o ataque da tarântula, o episódio da mina, onde se suspeita que Holmes tenha perecido, as menções a rituais sangrentos diabólicos, e toda a sequência final com Cecile Stapleton a confessar a Sir Henry o seu ódio, e o cão a atacá-lo ao mesmo tempo que Stapleton luta com Holmes e Watson, criando um clímax emotivo. Como habitualmente o filme serve-se da bela cenografia típica da Hammer, para nos impressionar com detalhes de cenas, como velhas mansões, paisagens nocturnas, pântanos, ruínas, nevoeiros, deixando sempre no ar a ideia de que algo macabro está à beira de acontecer, e a própria natureza pode agir como elemento de oposição aos heróis. Peter Cushing interpreta um Sherlock Holmes extremamente convincente, enérgico e com a dose certa de arrogância, que não envergonharia Sir Arthur Conan Doyle. André Morell criou um Dr. Watson que tem sido elogiado como um dos melhores de sempre. Já a surpresa maior será o papel da “vítima”, Sir Henry Baskerville, aqui interpretado pelo eterno vilão da Hammer, Christopher Lee, que apesar de um dar um ar honesto à personagem, não deixa que esta seja menos imponente, e até um pouco ameaçadora, afinal era essa a reputação dos amaldiçoados Baskervilles.

Produção:
Título original: The Hound Of The Baskervilles; Produção: Hammer Film Productions; Produtor Executivo: Michael Carreras; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1958. Duração: 86 minutos; Distribuição: United Artists; Estreia: 4 de Maio de 1959 (Inglaterra), 18 de Maio de 1961 (Portugal).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Hinds; Produtor Associado: Anthony Nelson-Keys; Argumento: Peter Bryan, baseado no romance de Sir Arthur Conan Doyle; Música: James Bernard; Director de Orquestra: John Hollingsworth; Fotografia: Jack Asher (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Caracterização: Roy Ashton; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Montagem: Alfred Cox; Efeitos Especiais: Sid Pearson.

Elenco:
Peter Cushing (Sherlock Holmes), André Morell (Doutor Watson), Christopher Lee (Sir Henry), Maria Landi (Cecile), David Oxley (Sir Hugo), Francis De Wolff (Doctor Mortimer), Miles Malleson (Bispo), Ewen Solon (Stapleton), John Le Mesurier (Barrymore), Helen Goss (Mrs. Barrymore), Sam Kydd (Perkins), Michael Hawkins (Lord Caphill), Judi Moyens (criada), Michael Mulcaster (recluso), David Birks (criado).