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DraculaApós o sucesso de “A Máscara de Frankenstein”, a Hammer embarcou no projecto de recriar um outro clássico da Universal dos anos 30: Drácula. Com a mesma equipa dirigida por Terence Fisher, com Peter Cushing e Christopher Lee nos principais papéis, e um argumento mais próximo do livro de Bram Stoker, a Hammer conseguiu novo sucesso, mas não sem dificuldades com a censura e com a angariação de dinheiro para o produzir. Com este novo sucesso de bilheteira, a Hammer estabelecia definitivamente o seu nome no campo do terror gótico. Intitulado simplesmente ” Dracula” no Reino Unido, Nos Estados Unidos o filme chamou-se “Horror Of Dracula” para não se confundir com o filme da Universal de 1931. O filme foi realizado ao mesmo tempo que “A Vingança Frankenstein”.

Sinopse:
Em 1885 Jonathan Harker chega ao castelo de Drácula, como seu novo bibliotecário. Mas na verdade Jonathan traz uma missão, livrar o mundo do mais célebre dos vampiros, só que falha no momento crucial e acaba morto por Drácula. Tal é descoberto pelo seu amigo e colega Van Helsing, quando o encontra e ao seu diário, cruzando-se com uma carroça transportando um caixão. De volta a Karlstad, Van Helsing informa a família Holmwood, e vê que Lucy, noiva de Jonathan está doente na cama, com sinais de uma anemia inexplicável. Tal é resultado das visitas nocturnas de Drácula, que lhe suga o sangue noite após noite. Van Helsing apercebendo-se do que está a acontecer tenta em vão que sejam tomadas medidas anti-vampirismo, mas Lucy acaba por morrer. Van Helsing mostra então o diário de Jonathan Harker a Arthur Holmwood e convence-o a acompanhá-lo à cripta da sua irmã Lucy, onde a surpreendem a tentar morder uma criança. Após a impedirem e lhe trespassarem o coração, Van Helsing e Arthur procuram saber para onde foi que Drácula expediu o seu caixão, pois será aí que o encontrarão. Sem o saberem este ganha controlo sobre a mulher de Arthur, Mina, que cai então doente no seu leito. Van Helsing e Arthur montam guarda à casa, mas não impedem novo ataque do vampiro, pois só tarde descobrem que o caixão se encontra na cave da própria casa dos Holmwood. Descoberto, Drácula foge para o seu castelo levando Mina consigo, que tenta enterrar viva. Van Helsing e Arthur chegam a tempo de a salvar, e enquanto luta com Drácula, Van Helsing consegue que aquele seja exposto à luz do sol que já nasce lá fora. Drácula desfaz-se em pó e finalmente morre, deixando apenas o seu anel.

Análise:
Fiel ao espírito da obra de Bram Stoker, este filme opta por condensá-la eliminando alguns acontecimentos (Harker morre no castelo, Renfield não existe no filme, etc.) e jogar livremente com o nome dos personagens. Aqui é Lucy e não Mina a noiva de Jonathan Harker, enquanto Mina é cunhada de Lucy, e casada com Arthur. Jonathan, por sua vez, está longe de ser inocente, e não só procura o vampiro para o matar, como o faz de acordo com Van Helsing. Finalmente a acção decorre em Karlstad e não em Londres, o que elimina as longas viagens do livro. Mantém-se a estrutura da viagem ao Castelo, a perseguição de Drácula, os sucessivos ataques, primeiro a Lucy depois a Mina, e as tentativas de Van Helsing para capturar Drácula. Peter Cushing brilha com o seu Van Helsing, exibindo todos os traços que o fizeram famoso, desde a sua energia à rapidez de decisão, que fazem com que o filme pareça ser guiado por si. Christopher Lee tem aqui o seu primeiro grande papel, criando um Drácula bem mais emblemático que aquele de Bela Lugosi. Enquanto este depositava tudo no seu olhar, e numa técnica de luz que em tudo lembrava o cinema mudo, o Drácula de Lee impõe-se pela sua voz, pela sua estatura, pela presença, pelo olhar que vai do impávido aos horríveis olhos raiados de sangue, filmados com uma mestria ímpar por Terence Fisher. O Drácula de Terence Fisher e Christopher Lee vale pela subtileza e não por esgares exagerados, dando-nos um personagem de um charme frio e ambíguo, mas sedutor perante as suas vítimas, como pretendido por Bram Stoker. Tal como em “A Máscara de Frankenstein” a fotografia (também a cores) é um trunfo importante, ajudando a pintar as paisagens melancólicas, os interiores sugestivos, e as noites opressivas, não esquecendo a sexualidade implícita, que fazem do gótico da Hammer uma imagem de marca. Este “Drácula” é o filme que mais marcou a história dos filmes de vampiros daí em diante.

Produção:
Título original: Dracula (nos EUA: Horror Of Dracula); Produção: Hammer Film Productions; Produtor Executivo: Michael Carreras; País: Reino Unido; Bray Studios; Ano: 1958. Duração: 81 minutos; Distribuição: J. Arthur Rank Film Distributor; Estreia: 8 de Maio de 1958 (EUA).

Equipa técnica:
Realização: Terence Fisher; Produção: Anthony Hinds; Produtor Associado: Anthony Nelson-Keys; Argumento: Jimmy Sangster, baseado no romance de Bram Stoker; Música: James Bernard; Director de Orquestra: John Hollingsworth; Fotografia: Jack Asher (filmado em Technicolor); Direcção Artística: Bernard Robinson; Montagem: James Needs; Caracterização: Phil Leakey; Guarda-roupa: Molly Arbuthnot; Efeitos Especiais: Syd Pearson.

Elenco:
Peter Cushing (Van Helsing), Christopher Lee (Conde Drácula), Michael Gough (Arthur Holmwood), Melissa Stribling (Mina Holmwood), Carol Marsh (Lucy Holmwood), Olga Dickie (Gerda), John Van Eyssen (Jonathan Harker), Valerie Gaunt (Vampira), Janine Faye (Tanja), Barbara Archer (Inga), Charles Lloyd Pack (Doutor Seward), George Merritt (Polícia).