O Último Ano em Marienbad, 1961

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L'année Derniere a MariebandSinopse:
No hotel de Marienbad, que fica num antigo palácio barroco, ricamente decorado e ornamentado, e cercado por jardins formais de estilo francês, um homem, cujo nome não é dito, insinua-se perante uma mulher cujo nome também não é revelado. Segundo ele, eles já se encontraram ali, no ano anterior, e ela dissera-lhe para esperarem mais um ano até se encontrarem. A mulher diz, ou finge, não se lembrar, e o homem, repetidamente tenta lembrá-la dos acontecimentos do ano anterior. Imagens do presente intercalam-se com as do passado, narrado, imaginado, ou sonhado pelo homem. Continue reading »

Mãos Perigosas, 1953

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Pickup on South StreetSinopse:
No Metropolitano, o carteirista Skip Mccoy (Richard Widmark), rouba a carteira de Candy (Jean Peters), a qual está sob vigilância dos serviços secretos. Sem saber, Skip roubou um microfilme com informação muito procurada, o que o vai fazer um alvo da polícia e de uma rede de espiões. Como mediadora, tentando ganhar-lhe a confiança e obter os segredos que ele carrega consigo, Candy insinua-se como sedutora. Skip terá de decidir se o resgate pedido pelo microfilme vale o risco da sua vida, enquanto tenta perceber se deve ou não confiar naquela mulher. Continue reading »

“O meu ciclo”, por Rui Alves de Sousa

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O meu Ciclo - Rui Alves de Sousa

Cinema e Literatura

por Rui Alves de Sousa
autor do blog Companhia das amêndoas

O Cinema e a Literatura são duas Artes que eu admiro muito. Tal como a música, motivam-me a ser quem sou e mesmo a tomar certas opções na minha vida, ou a agir de certas maneiras. No meu blog, escrevo primordialmente sobre Cinema, mas ultimamente tenho dado cada vez mais atenção à forma como os filmes são influenciados pelos livros, criando adaptações cinematográficas que, algumas vezes, conseguem superar a qualidade literária das obras que são alvo das mesmas.
Contudo, penso que não se deve misturar Cinema com Literatura. São duas artes distintas e que não podem ser comparadas. E neste ciclo, selecionei alguns filmes que, além de serem baseados em obras literárias, conseguiram demarcar-se dos originais, tornando-se filmes “individuais” e que não são frequentemente associados aos livros.
Algumas escolhas são óbvias, outras nem tanto, mas tratam-se todos de filmes que mudaram a História da Sétima Arte, à sua maneira. O meu conhecimento cinéfilo é ainda muito escasso, mas penso que consegui chegar a uma lista de qualidade e com muita variedade. E vão ver que, em alguns destes filmes, nem se lembravam que esteve um livro envolvido na sua feitura…
Ordenei os vinte e cinco filmes que escolhi por ano de estreia, começando em 1942 e terminando em 2007. As obras literárias enquadram-se em vários géneros, especificados em cada filme desta lista. Existem muitos outros exemplos que eu poderia aqui incluir, mas selecionei os que me dizem mais.

Apocalypse Now

Filmes escolhidos:

  • O Quarto Mandamento (The Magnificent Ambersons, 1942) de Orson Welles (baseado no romance de Booth Tarkington)
  • Casablanca (Casablanca, 1942) de Michael Curtiz (baseado na peça de Murray Burnett e Joan Alison, que nunca chegou a estar em cena)
  • O Tesouro da Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre, 1948) de John Huston (baseado no romance de B. Traven)
  • The Third Man (O Terceiro Homem, 1949) de Carol Reed (baseado no romance de Graham Greene. O livro foi publicado depois da estreia do filme, mas foi este que Greene usou para escrever o argumento do filme, que ficou depois muito mais rico)
  • O Inferno na Terra (Stalag 17, 1953) de Billy Wilder (baseado na peça de Donald Bevan e Edmund Trzcinski)
  • A Janela Indiscreta (Rear Window, 1954) de Alfred Hitchcock (baseado no conto de Cornell Woolrich)
  • A Sombra do Caçador (The Night of the Hunter, 1955) de Charles Laughton (baseado no romance de Davis Grubb)
  • O Gigante (Giant, 1956) de George Stevens (baseado no romance de Edna Ferber)
  • A Mulher que Viveu duas Vezes (Vertigo, 1958) de Alfred Hitchcock (baseado no romance de Pierre Boileau e Maxwell Anderson)
  • Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962) de David Lean (baseado nos escritos de T. E. Lawrence)
  • O Ofício de Matar (Le Samourai, 1967) de Jean-Pierre Melville (baseado no romance de Joan McLeod)
  • Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, 1971) de Stanley Kubrick (baseado no romance de Anthony Burgess)
  • O Padrinho (The Godfather, 1972) de por Francis Ford Coppola (baseado no romance de Mario Puzo)
  • Barry Lyndon (Barry Lyndon, 1975) de Stanley Kubrick (baseado no romance de William Makepeace Thackeray)
  • Apocalypse Now (Apocalypse Now, 1979) de Francis Ford Coppola (baseado no romance de Joseph Conrad)
  • Touro Enraivecido (Raging Bull, 1980) – de Martin Scorsese (baseado na autobiografia de Jake LaMotta)
  • O Homem Elefante (The Elephant Man, 1980) de David Lynch (baseado no livro de Frederick Treves e em parte do livro de Ashley Montagu)
  • Amadeus (Amadeus, 1984) – de Milos Forman (baseado na peça de Peter Shaffer)
  • Era Uma Vez na América (Once Upon a Time in America, 1984) de Sergio Leone (baseado no romance de Harry Grey)
  • O Último Imperador (The Last Emperor, 1987) de Bernardo Bertolucci (baseado na autobiografia de Henry Pu-Yi)
  • Tudo Bons Rapazes (Goodfellas, 1990) de Martin Scorsese (baseado no livro de Nicholas Pilleggi)
  • Os Condenados de Shawshank (The Shawshank Redemption, 1994) de Frank Darabont (baseado no conto de Stephen King)
  • À Espera de um Milagre (The Green Mile, 1999) de Frank Darabont (baseado no romance de Stephen King)
  • O Pianista (The Pianist, 2002) de Roman Polanski (baseado na autobiografia de Wladyslaw Szpilman)
  • Haverá Sangue (There Will Be Blood, 2007) de Paul Thomas Anderson (baseado no romance de Upton Sinclair)

Setembro, 1987

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SeptemberDepois de voltar a ter a aclamação da crítica com uma série de filmes menos pretensiosos, misturando alegoria, nostalgia com uma comédia simples de rosto humano, Woody Allen voltou a lançar-se num drama psicológico de inspiração bergmaniana. Voltando a apostar nalguns dos “seus actores”, como Mia Farrow, Dianne Wiest e Sam Waterston, o filme contava ainda com Denholm Elliot, Elaine Stricht e Jack Warden. Como habitual nos seus dramas, Woody Allen não participava como actor. Continue reading »

“O meu ciclo”, por David Furtado

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O meu ciclo - David Furtado

O anti-herói – espelho da sociedade

por David Furtado
autor do blog Wand’rin’ Star

Em vários aspetos, o anti-herói é mais interessante do que o herói formal do cinema. É o fugitivo da Justiça perseguido por agentes corruptos, o indivíduo que só quer salvar a pele mas não abdica da ética pessoal, a figura que conquista a simpatia do público. Inserido numa civilização em que os poderes estabelecidos tentam esmagar a individualidade e ocultar a corrupção dos sistemas, o anti-herói é um homem ou uma mulher comum que escreve direito por linhas tortas e, talvez por isso, o público o aplauda.
Alguns exemplos. O anti-herói por excelência é Don Corleone (Marlon Brando) em “O Padrinho”: Um mafioso, sim, mas um homem com valores de família que não quer para o filho o mesmo destino que teve. Encara a vida com sabedoria e pragmatismo, perante a corrupção de políticos e forças da autoridade. Adorado por várias gerações, o personagem será adorado por outras tantas.
10 anos antes, Burt Lancaster encarnou “O Prisioneiro de Alcatraz”, um assassino condenado que, na cadeia, se torna perito em aves, chegando a escrever quase um tratado de anatomia. Os anos passam, o seu desespero aumenta e a sua humanidade vem ao de cima.
Alguns atores já eram, na vida real, anti-heróis; no caso de Steve McQueen, por ter sido abandonado pelo pai e negligenciado pela mãe. Em “Tiro de Escape” protagonizou um ex-presidiário com sentimentos, embora brutal perante a autoridade.

Birdman of Alcatraz

Quase 40 anos depois, surge “Drive – Risco Duplo”, em que Ryan Gosling, um dos atores mais talentosos da atualidade, personifica um mecânico e duplo de cinema, motorista de fuga em assaltos. O personagem de Gosling é atormentado por dilemas morais – a atração por Carey Mulligan não o impede de auxiliar outro criminoso, o marido dela, num roubo que poderá ajudar o casal a livrar-se dos agiotas. Não corre bem. Ao motorista, resta-lhe o código ético.
Em 2007, Jodie Foster, confessa admiradora do anti-herói, interpretou Erica, uma mulher brutalmente violada, cujo namorado é assassinado. Não só devido ao trauma, mas também à necessidade de se proteger, Erica vê-se de arma na mão e faz a justiça que a polícia não pôde. O filme é demasiado longo e algo pesado – salvo pelo talento de Foster. Quantos de nós não pensámos na solução “olho por olho, dente por dente” perante crimes brutais? Podemos, em consciência, não advogar tais soluções justiceiras a corta-mato que descambariam na anarquia, mas não evitamos ficar do lado de Erica durante “A Estranha em Mim”.
Foster participou em “Taxi Driver”, que nos mostra outro exemplo: Neste caso, um homem solitário e martirizado pela podridão urbana que o cerca. Travis Bickle (Robert De Niro) põe as fantasias em prática. Salva uma prostituta menor e abate quem a explora. Travis enquadra-se na definição de psicopata, mas o filme de Scorsese é mais complexo, socialmente importante e atual.

Taxi Driver

“Beco sem Saída” é a história de um ex-presidiário que não se adapta. Dustin Hoffman é excelente como Max Dembo, numa obra que denuncia a reabilitação social como uma armadilha com intenções opostas. Max tenta regenerar-se, mas o sistema impede a reentrada na sociedade. Solução: Voltar ao crime. A belíssima atriz Theresa Russell serve de contraponto dócil ao violento e antissocial Max.
Para terminar, agradecendo o convite ao Wand’rin’ Star (e devido a esse nome), não podia deixar de referir Lee Marvin, o insubordinado Major Reisman de “Doze Indomáveis Patifes”. Marvin poucas vezes foi o “herói” no sentido pleno do termo. A sua experiência pessoal, na guerra, aliada ao carisma, tornaram-no numa figura que aplaudimos, mesmo estando do lado errado da lei.

Filmes citados:

  • O Prisioneiro de Alcatraz (Birdman of Alcatraz, 1962) de John Frankenheimer
  • Doze Indomáveis Patifes (The Dirty Dozen, 1967) de Robert Aldrich
  • O Padrinho (The Godfather, 1972) de Francis Ford Coppola
  • Tiro de Escape (The Getaway, 1972) de Sam Peckinpah
  • Taxi Driver (Taxi Driver, 1976) de Martin Scorsese
  • Beco sem Saída (Straight Time, 1978) de Ulu Grosbard
  • A Estranha em Mim (The Brave One, 2007) de Neil Jordan
  • Drive – Risco Duplo (Drive, 2011) de Nicolas Winding Refn

Rubrica: “O meu ciclo”

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"All together Now" de Jeff McMillan

Quando comecei o blog “A janela encantada”, ao organizá-lo por ciclos, a primeira pergunta que se me colocou foi, o que é de facto um ciclo de cinema? São tantas as definições que para eles podemos dar, quantos os exemplos que podemos construir para cada uma. E no fim de contas mais que as explicações, o que nos interessa nesta forma subjectiva e artificial de catalogar e agrupar os filmes que vemos, é uma forma de arrumarmos o nosso modo de pensar e compreender o cinema.

Decidi então que, mais interessante que tentar teorizar sobre ciclos de cinema, seria dar voz a outros autores, para que dessem a conhecer como construiriam um “seu” ciclo de cinema. Como regra de ouro dei apenas uma: falarem de algo que os entusiasme. De resto, total liberdade para escolherem os temas, e a sua forma de os apresentarem.

É com muita honra que, a partir de amanhã, nas semanas seguintes apresentarei, nas palavras de pessoas costumo ler atentamente, os “seus” ciclos de cinema. Obrigado desde já a todos os que participaram. Espero que todos nós aprendamos uns com os outros neste exercício.

O Crepúsculo dos Deuses, 1950

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Sunset BoulevardSinopse:
Depois de morto, Joe Gillis (William Holden) narra os acontecimentos que levaram à sua morte. Escritor de argumentos para cinema, Joe tentava a sua sorte em Hollywood, mas via constantemente as portas serem fechadas. Fugindo dos cobradores a quem deve dinheiro, Joe vê-um dia se numa mansão de Hollywood, onde o acaso o coloca em conversa com a proprietária, a antiga estrela de cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson). Ao descobrir que Joe é um escritor, Norma convida-o a preparar o seu regresso ao cinema com um filme escrito para ela.
Joe percebe que Norma vive num mundo de fantasia, alimentado pelo seu dedicado mordomo Max Von Mayerling (Erich von Stroheim), mas aceita participar de modo a receber o dinheiro de que necessita. O que Joe não antevê é como essa cedência à ilusão de Norma vai acabar por provocar mais ilusões e paixões que levarão à sua morte.

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Quando a Cidade Dorme, 1950

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The Asphalt JungleSinopse:
Dix Handley (Sterling Hayden) é um pequeno criminoso, conhecido da polícia como um “hooligan”, e que gasta tudo em apostas de cavalos. Após procurar o agente de apostas clandestinas Coddy (Marc Lawrence), Dix acaba envolvido nos planos do notório assaltante Doc Erwin Riedenschneider (Sam Jaffe).
Doc é um profissional com o plano para um golpe perfeito. Precisa apenas da ajuda de alguém de reputação inquestionável, que transforme o produto do roubo em dinheiro. Continue reading »

Os Dias da Rádio, 1987

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Radio DaysEm 1987, Woody Allen voltou a deixar que o seu olhar nostálgico sobre a sua própria infância fosse tema de um seu filme. Embora não repetindo o sucesso comercial de “Ana e as suas Irmãs”, o filme “Os Dias da Rádio” recebeu os elogios da crítica. Participando apenas como narrador, Allen construiu o filme como uma enorme série de quadros, sustentados por um conjunto de actores, na maioria conhecidos do seu público, como Mia Farrow, Diane Keaton, Julie Kavner, Danny Aiello, Jeff Daniels, Tony Roberts, Michael Tucker e Dianne Wiest. No papel do pequeno alter ego de Allen, estaria Seth Green. Continue reading »

Foragidos da Noite, 1950

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Night and the CitySinopse:
Harry Fabian (Richard Widmark) é uma criatura da noite, empregado como agente de um clube nocturno para o qual tenta ludibriar clientes, mas sempre procurando o golpe que lhe dê uma vida de facilidades, a si e à namorada Mary (Gene Tierney), cantora no clube.
Um dia, ouvindo uma discussão entre o antigo campeão de luta greco-romana Gregorius (Stanislaus Zbyszko), e o filho deste Kristo (Herbert Lom), actualmente o homem que controla o negócio das lutas em Londres, Harry tem uma ideia. Continue reading »

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